sexta-feira, 20 de novembro de 2009

UM POEMA DE ROSAINE BRAGA:


 

A saudade corta como aço de navalha


O silêncio entre as folhas secas
sopra e dissipa a brisa da solidão

Me perco e encontro no olhar tenro que nos rodopia
construo e desorganizo o pensamento no sussurro de tuas palavras

O vento nos envolve ao emaranhar das salivas que se pérpetua na aurora
a alma canta anunciando a chuva-criadeira

Acolhe a luz e finca a saudades numa penumbra do asfalto



Rosaine Braga 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

DULCINÉIA CATADORA/ SIGNICIDADE:




Amanhã, sábado dia 21 acontece o lançamento do livro SIGNICIDADE de Frederico Barbosa na Merceraria São Pedro/Vila Madalena em São Paulo dentro da programação da Balada Literária.

domingo, 1 de novembro de 2009

UMA ONDINA CHEGA :


Também retorno sempre para a escrita de Beatriz Bajo, no meu próximo livro TEATROFANTASMA haverá uma novela que escrevemos juntos sobre a morte de Clarice Lispector, em um tempo em que o afeto só existe se for condicionado pela objetividade kamikase do desejo, a fusão de duas poéticas dentro do possível pode ser a prova de que outros paradigmas podem ser criados, outros lugares interiores mais altos para os vôos do desejo, sim. my friends, ele pode voar quando tocado por um sentimento-Wuthering Heighs que não ultrapassa o existir como na novela da Tia Emily, mas ultrapassa a fragmentação do encontro e sua pulverização na fogueira da ansiedade ou da vaidade, tanto faz...
Antes que me esqueça do eu ( Samadhi Blues) não por acaso o livro de B.B. ( no prelo) se chama
A FACE DO FOGO.

Marcelo Ariel, Sempre e Além, ainda no deserto oceânico.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O QUE MEU CLONE-FANTASMA ESTÁ OUVINDO:

sábado, 8 de agosto de 2009

UM POEMA DE GIL MARTINS BARROS:



SALA CÓSMICA

Numa sala de Bate-Papo qualquer: Eterno encontra Infinito.


(00:00:01) Eterno entra na sala...
(00:00:02) Infinito entra na sala...
(00:11:00) Inf. f/p Ete.: Olá Sr. Eterno...O que é vc – um Nano Tesla...um Estado Crítico?
(08:01:55) Ete. f/p Inf.: Quase isso...Talvez eu seja um Ter-Estado ou um Ser-Estado.
(02:15:02) Inf. f/p Ete.: Ter e Ser, por acaso, não é a somatória de Poder?
(19:03:56) Ete. f/p Inf.: Não! Poder é tão somente uma POO – (Potência de Ordem Oscilante).
(04:33:04) Inf. f/p Ete.: A que classe pertences?
(22:05:57) Ete. f/p Inf.: A dos inclassificáveis.
(06:45:06) Ete. f/p Inf.: E quanto a ti Infinito... Qual é a sua unidade de medida?
(11:07:58) Inf. f/p Ete.: A infinitesimal.
(08:44:08) Ete. f/p Inf.: Sim és claro um fundamentalista.
(17:09:59) Inf. f/p Ete.: Não! eu não passo de um parabolóide hiperbólico, sem a menor função.
(10:26:10) Inf. f/p Ete.: Mas afinal Eterno – vc é onda ou partícula?

Heinsenberg ( ainda vivo) em outro universo paralelo, entra na sala:

(00:00:03) Heis. f/p todos.: Olá pessoal... Como é mesmo o Princípio da Incerteza?
(00:22:00) Ete. f/p Inf.: Na minha uniformidade – eu sou constante – e vc?
(08:01:55) Inf. f/p Ete.: Acho que sou variável - um fator de atraso.
(02:16:02) Ete. f/p Inf.: Por acaso aspiras ao Perpetuum Status Quo, Don Infinito?
(19:03:56) Inf. f/p Ete.: Sim, galopando num Blasar, quem sabe eu queira lá e cá.
(04:34:04) Inf. f/p Ete.: Onde poderei encontrá-lo?
(22:05:57) Ete. f/p Inf.: Encontre-me dentro de sua infinitude - sou onipresente.
(06:46:06) Inf. f/p Ete.: Mas isso é vago... Quando posso vê-lo?
(11:07:58) Ete. f/p Inf.: Vê-me na quintessência junto à sua singularidade.
(08:45:08) Inf. f/p Ete.: E quanto a ti Eterno... Como te comportarias em Infinitus?
(17:09:12) Inf. f/p Ete.: Posso tirar um fóton de ti?
(10:27:10) Ete. f/p Inf.: Eu me comportaria como um simples; Quark!quark!Quark!
(00:11:21) Inf. f/p Ete.: Diz-me Eterno, vc tem um Índice?

(01:00:00) Ete. f/p Inf.: Infinito sai da Sala...
(02:00:00) Inf. f/p Ete.: Eterno sai da sala...

E assim...
Num horizonte de eventos supermassivo,
Tentaram um novo link, mas a rede caiu...
Precipitando-os no insondável abismo
Do suicídio quântico.
Gil Martins Barros é poeta e arquiteto e mora em Cubatão-SP

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DE VOLTA AO PARAÍSO:



Por MARIANA IANELLI*


…Basta um livro, apenas um, para desencadear a interminável trama de encontros que ao longo do tempo vai desenhando a frondosa genealogia desta nossa outra família, que, se de nosso não tem o mesmo sobrenome, tem todos os nomes possíveis, todas as variantes de um mais profundo parentesco de espírito. Bem pode ser esta a nossa mítica árvore da imortalidade, bem guardada por uma espada de fogo. E basta um fruto, apenas um, para cairmos na perdição do encantamento. Não por acaso Borges imaginava que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca, nem por acaso Saramago reúne seus autores diletos no que ele chama de sua “família de espírito”. É assim que nos rebatizamos, que elegemos parentes de coração, com quem nos reunimos por vontade própria, num silencioso (e nem sempre pacífico) convívio. E cada autor que amamos chama para a roda os seus amigos. Rilke chama Marina Tsvetáieva, Marina chama Anna Akhmátova, Anna nos leva a Ossip Mandelstam. E ainda há vínculos menos evidentes, subjacentes aos enredos da palavra, que, se nos vale descobrir, mais ainda vale imaginar, por exemplo, a gênese do Ensaio sobre a cegueira de Saramago latente no Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma, de Antonio Vieira. Um livro dentro de outro, um mundo se desdobrando em outro. Entramos na mágica Jesusalém de Mia Couto e ali encontramos Hilda Hilst, Adélia Prado, Alejandra Pizarnik, Sophia de Mello Andresen. Entramos no lirismo de Hilda e somos transportados à poesia de Catulo. Assim vamos e voltamos no tempo, varamos os séculos, ignoramos as empedernidas fronteiras do espaço e traçamos nós mesmos a extensão da nossa terra natal, conforme o nosso mapa de afinidades e a bússola das nossas intuições. E tão generosa pode ser a paixão da leitura que por ela também experimentamos a delícia dos amores casuais. Um livro que nos chega sem saber de onde, quem sabe do topo de uma pilha sem sentido, num balcão da livraria, como me aconteceu uma vez encontrar, em edição portuguesa, Uma mulher e Um lugar ao sol, de Annie Ernaux, cuja leitura, antes de me dirigir aonde quer que fosse, plantou-me na própria vida, num momento de luto. E, no meio dessa cartografia fantástica, vamos também de um livro a outras artes, como me aconteceu com a memorável descoberta de O direito de sonhar, de Bachelard, que me fez viajar pelas oníricas telas de Marc Chagall inspiradas na Bíblia. Eis que, lançando pontes, campeando distâncias, cruzando caminhos, aí chegamos ao livro dos livros, ao jardim primeiro, ao fruto dos frutos…


*Mariana Ianelli, Jornalista, escritora, colabora como resenhista para os jornais O Globo, Prosa&Verso, Rascunho.
Mariana Ianelli

sábado, 1 de agosto de 2009

UM POEMA DE LUCIANO DIAS SOARES:



Num Daqueles Dias

Quando saio de caminhada,
nun daqueles dias, passo de esguelha
entre pensamentos e postes
postos na calçada
sempre estreitas para tantos
desejos largos,
mastigando nacos de reminiscências da
minha infância e engolindo
idéias que me engolem
como um cão faminto.Muitas vezes
tenho engasgos,distraído
ao ver uma bocetuda passar por mim ou
uma criança
num canto
alegre...
fumando crack...
E meus pés saem "pel'aí pelas ruas"
dando topadas em garrafas de polietileno
vazias
que vão encontrando pelo caminho que faço.
Um "gato esperto" é como eu me sinto
vadiando por estes espaços!
Confidencio segredos aos orelhões
da cidade;
dou beijos indecentes nas bocas-de-lobo
mijo e vomito em qualquer pé-de-parede;
em qualquer esquina me alimento de
cachorros-quentes
e esporro nas goelas dos viados que
fazem chupetas
dentro dos cinemas que rodam filmes pornôs.
Leio letreiros.
Luminosos. Iluminados. Legais!
a "Nestlê" me sugere a sensação de ser um
doce a vida
mesmo tendo este gosto de merda na boca e
nos pulmões
este aroma da podridão que respiro
profundamente,
achando bom,
quando o caminhão de lixo passa batido
por mim
recolhendo os restos de tudo
o que já foi útil!

A minha alma desce às galerias de esgoto
esgotada, em busca da paz de espírito
largada de mão pelo meu corpo há tempos.
Não desfaço os nós dados pelos dedos
do Destino.
Para continuar vivo, utilizo artimanhas
da vida.
Sei que hoje chegarei em casa arreado
- Parece até que um pedaço do céu cai
sobre minha cabeça
dentro de mim! -
Aqui fora conheço uma pá de pessoas.
mas conhecer pessoas e não frequentá-las
é o mesmo que não conhecê-las.
por isso tenho andado num solidão só!

Nota: A poesia do Luciano Dias Soares me foi apresentada pelo meu amigo J. Roberto, o Luciano é camelô e poeta.

marcelo ariel